In Autista Sem Regras maternidade Séries e Filmes

12 fatores pra dizer que o Pocoyo é autista

Se o Oscar premiasse as séries de desenhos animados e seus personagens, sem dúvida a série "Let's Go Pocoyo!" já teria recebido uns 3 e seu personagem principal uns 5, no mínimo. As 7 temporadas dessa série espanhola são vistas atualmente em 100 países, embora originalmente destinadas a um público de 1 a 4 anos, ela também ganha adeptos mais velhos.

Como todas as marcas bem-sucedidas, o Pocoyo possui um grande merchandising: mais de 150 produtos com sua imagem. Somente na Espanha, mais de um milhão de brinquedos, meio milhão de DVDs e 250 mil livros foram vendidos em 2007.
Segundo o presidente José María Castillejo, presidente da Zinkia , empresa onde eles desenharam Pocoyo, o motivo desse sucesso é, além do evidente, "trabalho, ilusão e tecnologia", e o ingrediente secreto: "Muito investimento em psicólogos e educadores de crianças que revisam todos os scripts, de modo que cada episódio transmita uma mensagem positiva e valores como alegria, esforço e amizade. Tudo é muito pensado."

"O sucesso é feito de bom gosto e respeito às crianças"

Eu amo que eles tenham especialistas por trás de cada episódio desenvolvido, quem assista o conteúdo com olhos de análise, na verdade, acho que deveria ser obrigatório para todas as séries destinadas às crianças, porque alguns roteiristas (japoneses ou não) confundem crianças com potenciais lutadores ou mercenários. O psiquiatra Neubauer explicou os efeitos da TV sobre as crianças, que não é nada otimista.

Meu filho Miguel ama o Pocoyo e é, sem dúvida, seu personagem favorito. Eu, particularmente, gosto de todos os episódios (sim, eu também assisto) e não tenho nenhuma crítica, exceto a falta de outros personagens humanos, no entanto, no ponto de vista de uma mãe autista, consigo encontrar motivos para não ter tantos personagens humanos (além da Nina): a maioria das crianças no TEA, possuem um mundo só seu e nem sempre as outras crianças fazem parte dele.

No mundo do Pocoyo não há nenhum pai, mãe ou irmão, primo ou vizinho a não ser a Nina, uma menina da mesma idade, que apesar de humana, tem o poder de mudar de tamanho e tem uma torradeira-robô como animal de estimação, assim como algumas crianças no TEA costumam adotar objetos improváveis ao invés de brinquedos, como favoritos.
Nessa série são transmitidos valores de independência que nem sempre são consistentes com a idade dos personagens ou suas espécies. No entanto, assistimos um mundo lúdico, talvez mais concreto do que o mundo lúdico de uma criança neuro-típica, mas ainda é um mundo imaginário e aqui, adultos não são necessários. Por outro lado, a personagem Sonequita, que apesar de ser um pássaro, tem um bebê passarinho, ou seja, ela é adulta, talvez essa seja a representação de uma mãe na visão de Pocoyo. Elle, uma elefante cor-de-rosa, o ajuda em momentos mais complexos, como pegar objetos no alto, por exemplo, uma irmã mais velha, talvez. 

Os bebês precisam de proteção, ligação, calor, toque e amor de pelo menos um adulto, mas isso não significa que na visão lúdica de uma criança, esses personagens não representem seus pais, irmãos e amigos.
Mesmo não admitindo, os idealizadores de Pocoyo o fizeram muito similar à causa autista:
  1. 1 - Um garoto de 3 anos (sexo onde o autismo é maioria e idade onde ele começa a ser reconhecido)
  2. 2 - Não verbaliza constantemente, apesar de ser bastante curioso
  3. 3 - Brinca por várias vezes sozinho
  4. 4 - Seu animal de estimação é uma cachorrinha, a Lola, que aparece com menos frequência que os outros personagens (assim como a maioria das crianças autistas adoram animais e interagem bem com eles)
  5. 5 - A sua roupa é toda azul (cor símbolo do autismo)
  6. 6 - Os olhos não possuem contornos (olhar profundo)
  7. 7 - Tem o seu próprio jeito de brincar
  8. 8 - Possivelmente os outros personagens são brinquedos que convivem com ele em seu mundo
  9. 9 - O narrador adulto, o instrui e o ajuda a entender as coisas, apesar dele nunca ter aparecido (talvez um cuidador, pai ou médico, muitas vezes, pelas crianças autistas não observarem a face de quem fala, ele só tem voz)
  10. 10 - Quando está feliz balança os bracinhos (similar a algumas estereotipias das crianças no TEA)
  11. 11 - O primeiro episódio chama-se "O Guarda-Chuva" (termo utilizado para definir o Transtorno do Espectro Autista)
  12. 12 - E algumas outras semelhanças que, qualquer cuidador de uma criança no TEA consegue reconhecer.
Pocoyo é o menino mais curioso do mundo. Vive num mundo maravilhoso onde pode perguntar tudo e ele aproveita bem a oportunidade.

“Pocoyo” fala das coisas que dizem respeito ao dia-a-dia das crianças. Trata, portanto, da curiosidade, da franqueza, do interesse, da tolerância, do respeito e do amor, no fundo, dos valores fundamentais do ser humano.

O fato é que, intencionalmente ou não, os criadores de Pocoyo criaram um personagem tão maravilhoso como nossos filhos, netos, sobrinhos e alunos. Ele mostra que uma criança no TEA não está alheia ao mundo, mas vê e compreende tudo de uma forma diferente, nem mais, nem menos, só diferente.

Esta série recebeu o Prémio Bafta de Melhor Série infantil para os espectadores em idade pré escolar. Mereceu também o prémio de Melhor Série de Televisão no prestigiado festival francês de Annecy e três prêmios Pulcinella 2006 no Festival.

Uma série tão premiada assim, faz jus ao seu conteúdo. E você, mamãe, papai, professor, você também vê semelhanças do TEA no Pocoyo, me conta aqui nos comentários?

Fontes: http://canalpanda.pt/microsites/pocoyo/ | Adaptação: https://www.bebesymas.com/juegos-y-juguetes/el-exito-de-pocoyo-segun-sus-creadores-y-mis-criticas | http://autismo.institutopensi.org.br/informe-se/sobre-o-autismo/historia-do-autismo/ | https://pt.wikipedia.org/wiki/Pocoyo | http://abreajanelinha.blogspot.com.br/2013/04/o-pocoyo-e-autista.html | https://www.tumblr.com/search/pocoyo%20gif  | http://www.leapfrog.com/en-gb/app-centre/p/pocoyo-music-and-dance-with-pocoyo/_/A-prod58290-96914 | https://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%AAmios_BAFTA_de_2017 | https://www.annecy.org/home | 

Leia Mais

Compartilhe Tweet Pint +1

0 Comentários

In diagnóstico

O médico tem mais dúvida que eu


Hoje é dia cinco de abril de 2017, outra quarta-feira daquelas. Chegou o tão esperado dia da consulta com o neurologista infantil, segundo a pediatra, a otorrino e a fono, esse 'é o cara!', o que o neuro disser, está dito! Então imagine a nossa expectativa. 

Como não conseguimos horário com a neuro que a pediatra indicou, resolvemos procurar outro profissional e para a nossa surpresa, em São Paulo, havia apenas dois neuropediatras que atendem pelo convênio.

Escolhemos o que tinha a data mais próxima, pois cada dia que passa é um dia a menos de tratamento para o Miguel.

Na internet tem muita informação e confesso que parece bem mais simples ler: "... uma equipe multidisciplinar irá concluir o diagnóstico..." na prática, essa equipe é bem menos assertiva do que a gente imagina.

Após 45 minutos além do horário agendado previamente, o neuro nos recebeu. Fez perguntas sobre o comportamento do Miguel, examinou os olhos, os ouvidos e a garganta dele. Mediu o diâmetro da cabeça e tentou chamar-lhe a atenção batendo palmas e chamando-o pelo nome. 

"Na verdade, nessa busca por informações a única coisa unânime é a dúvida."

Como de costume, o Miguel olhou para o rosto do neuro, olhou quando ele bateu palmas, chorou ao vê-lo de branco, assim que entrou no consultório, ou seja, um comportamento típico, já que não ignorou o médico.

No final da consulta, veio a decepção, o neuro pediu para colocarmos o Miguel em uma escola, nos deu um receituário indicando a fonoaudiologia (que já estamos passando) e um outro indicando a psicologia. Nada mais. Nada de exames laboratoriais para ver a questão do cérebro ou alergias ou deficiência de vitaminas ou qualquer outra coisa que pudesse indicar um outro problema.


Quando eu indaguei se havia a possibilidade de TEA como a pediatra indicou, ele apenas disse que deveríamos aguardar três meses para ver se ele se desenvolve na escolinha. Em outras palavras, ele disse que a melhor terapia para o Miguelito é a escola.

Além das expectativas frustadas, da dúvida multiplicada, vem a esperança dolorida. Será que a escola é mesmo o melhor remédio?

O próprio neuro demonstrou dúvidas em relação ao diagnóstico, mesmo o Miguel tendo 2 anos e 4 meses e não falar uma palavra sequer.

Na verdade, nesse mês a única coisa unânime é a dúvida.


Leia Mais

Compartilhe Tweet Pint +1

0 Comentários

In diagnóstico

Sem jeito com as crianças

Hoje é dia vinte e quatro de março. Apesar de conhecermos bem nossos filhos, temos que fazer o que for preciso para ter certeza de que eles estão bem. Eu sei, assim como 2+2=4 que meu filho ouve bem, muito bem, mas para diagnóstico era necessário fazer o exame de audiometria.

Todo ser-humano tem algum defeito de caráter, e a apatia é um dos mais cruéis, ainda mais vindo de um médico. Não se preocupe, eu não vou reclamar de ninguém aqui nesse post, só quero te alertar sobre o que pode (e vai) acontecer com você e com o seu filho algumas vezes.
É incrível como nós mães nos sentimos ainda mais ligada aos nossos filhos depois que algo ameaça a vida deles. E ultimamente a minha intuição não fala mais comigo, ela grita!

Na última quarta-feira, dia vinte e dois, no momento em que pisamos na clínica para a consulta com a otorrino meu coração palpitou. A começar pela recepção que não nos atendeu bem. Mas a Dra. "Otorrino" fez tudo ficar melhor, ela é uma excelente profissional e nos passou muita positividade. Agendamos o exame pra hoje e voltamos, relutantes, para a clínica.

Alguma coisa me dizia que seria perda de tempo e não, eu não estava negativa, mesmo porque eu creio muito na Lei da Atração, portanto procuro viver o máximo de tempo possível de forma positiva. Mas além da nossa energia existem pessoas tão negativas que sugam toda a nossa positividade...

Quando eu entrei no consultório, meu marido foi expulso, não é exagero, ele foi realmente expulso de perto do consultório, ele não podia sequer esperar do lado de fora, A "mulher" pediu para que ele saísse do consultório e esperasse lá na entrada da clínica.
Entrei com  o Miguel e o que deveria ser um exame simples se tornou em desespero.


Eu não sei o motivo, se desdém ou falta de conhecimento, mas aquela "profissional" foi extremamente insensível. Ela estava irritada, impaciente e começou o exame ao contrário, ao invés de fazer os testes menos invasivos primeiro, ela começou colocando fios e instrumentos nos olhos, ouvidos e boca do Miguel. E antes de terminar o "exame" ela resmungou: "não sei porque a doutora (otorrino) passa esse exame para bebês, ela sabe que não dá pra fazer!"

Depois de dez minutos perto daquela moça, eu já estava exausta, chateada e pensando que a médica não era tão profissional assim. 

O exame de audiometria em crianças é possível sim, em bebês inclusive. Mas, apesar da clinica ser super recomendada e muito chic, me pareceu pouco provável que aquela moça sabia o que estava fazendo.

Não tem jeito, penso que essas coisas acontecem pra gente valorizar os bons profissionais que passam por nossas vidas e que se preocupam realmente com os nossos filhos. Sim, eles existem!

Saímos da clínica sem resultado nenhum e com a "ordem" de que o Miguel só poderia fazer o exame de audiometria sedado. O BERA é um outro exame audiométrico que, quando o primeiro exame não é conclusivo, esse segundo é realizado, pois como as crianças se mexem muito, elas precisam estar sedadas ou estarem dormindo. O fato é que o primeiro exame não foi realizado com o Miguel e acreditem, ele colaborou, mas até eu senti vontade de sair correndo dali.

Médicos que atendem crianças sabem que é necessário ter jeito para lidar com elas, pois elas se assustam muito fácil por não saber o que está acontecendo. Exigir, impor e reprimir uma criança, não é, definitivamente, o melhor jeito de conseguir que um pequeno colabore. 

Além da preocupação com o diagnóstico do Miguel, dos compromissos de trabalho, das tarefas diárias e de não dormir a noite por conta de todos os pensamentos que povoam a nossa cabeça, temos que nos preocupar se o nosso filho será bem atendido e se será sequer atendido. 

Se eu tivesse ouvido a minha intuição, teria realizado o exame em outra clínica. Então, minha sugestão é: a partir de agora, se a sua intuição sussurrar, escute. Se ela gritar, fuja!

Leia Mais

Compartilhe Tweet Pint +1

0 Comentários

In diagnóstico

Ainda tô em dúvida


Hoje é dia vinte e dois de março de 2017, uma quarta-feira. Eu ainda não sei, mas a maioria dos acontecimentos que envolverão meu filho daqui pra frente, ocorrerão na quarta-feira, e hoje é só a primeira delas.

Devo reconhecer que meu marido se esforçou muto marcando as consultas, porque encontrar profissionais que atendam pelo convênio da empresa, crianças tão novas como o Miguel, é difícil. Pra se ter uma ideia, de cada 20 fonoaudiólogos 1 atende crianças menores de 6 anos.

Eu moro a 25 minutos da Avenida Paulista, em uma cidade chamada Osasco, a segunda cidade que faz o melhor Hot Dog do mundo (só perde para a Islândia) e que é conhecida como cidade industrial, pois já foi sede de grandes indústrias como Santista e OSRAM. Mesmo assim, encontrar profissionais aqui é tão difícil como em qualquer outra cidade do país. Mas o Thiago se esforçou e os encontrou.

Hoje vamos a primeira consulta com a fonoaudióloga e ela me deu uma pequena esperança de que talvez e só talvez o Miguel fosse uma criança típica, porque o comportamento dele está dentro do esperado pela idade, porém ele não fala e chacoalha os bracinhos quando está feliz (mais tarde descobri que isso se chama flapping).


Pelas poucas coisas que li desde a consulta com a pediatra, me agarrei nas palavras da fono como uma criança agarra na mão do pai quando sente medo. Isso só reforçou a tese do meu marido, do meu irmão e da minha mãe de que eu estava realmente LOUCA  e que estava arrumando "doença" para o menino. Mas a minha intuição me dizia que eu devia continuar pesquisando e insistindo nas avaliações.

"CREIA NA SUA INTUIÇÃO MAIS DO QUE EM QUALQUER OPINIÃO ALHEIA."

Ela também disse que deveríamos colocá-lo em uma escolinha, porque ele não sabe como brincar nem como agir com as outras crianças porque ele não tem contato com elas. Faz sentido, até certo ponto. Na verdade ela nos indicou a escola em que a filha dela estuda.

Nós fomos visitar a escola Nossa Família e adoramos. A estrutura, os profissionais, tudo muito bem feito e organizado. Além disso, muitas crianças autistas estudam lá e isso é ótimo, pensei, porque se se confirmar que o Miguel é mesmo autista, eles saberão como cuidar dele.
A escola é tão legal que me fez repensar a minha tese de que criança feliz é criança em casa...

Quando o Miguel nasceu eu parei de trabalhar fora de casa e comecei a empreender na internet criando sites. Na verdade abri uma empresa e empreguei dezoito profissionais que trabalhavam no ambiente virtual (pela internet) e em coworkings. Isso me deu a oportunidade de trabalhar com o que eu gostava, ganhar dinheiro e cuidar do meu filho, o melhor de todos os mundos #soquenao.

A esperança que a fono nos deu e as opiniões da minha família contrastam com a minha intuição, ou seja: ainda tô em dúvida!



Leia Mais

Compartilhe Tweet Pint +1

0 Comentários

In diagnóstico

Um soco na cara


Hoje é dia nove de março de 2017 e como o Miguel ainda não fala nenhuma palavra, resolvi leva-lo em uma consulta com uma outra pediatra. A Dra. "Atual" disse que é normal esse atraso e que devemos esperar até os três anos, mas quem é que confia em um médico que está sempre ausente, sempre desmarcando as consultas e sempre não solicitando nenhum exame? Prefiro confiar na minha intuição, ela costuma falhar menos.

Na minha família existem muitas pessoas com problemas na fala: gagos, surdos e mudos, disléxicos etc. Minha mãe disse que meu irmão só falou com três anos de idade, eu mesma era muito gaga quando mais nova, talvez por isso, eu esteja tão calma pelo fato do Miguel não falar nenhum palavra.

Depois de um exame clínico de uma hora, a nova pediatra resolveu que era hora de me "esbofetear" com uma noticia: "mãe, seu filho é autista."

...

Acho que esses três pontinhos já ilustram a minha reação.

Eu apenas dei um sorriso amarelo, ouvi atentamente tudo o que ela disse, mas parece que eu estava em transe, o filme abaixo é exatamente como eu me sentia: além da imaginação.


Apesar de ser um transtorno comum em crianças mais do que HIV e câncer eu nunca tinha parado para pensar o que isso significava.

Pensei: "meu filho não tem cara de autista..." mas, assim como muitas pessoas, eu estava confundindo o autismo com a Síndrome de Down e não, não transtornos distintos.

Quando contei para o meu marido, ele reagiu de forma cinematográfica: chorou, abraçou o Miguel e se lamentou, mas no fundo eu sei que ele estava apenas querendo me dizer que "sentia muito, mas não fazia ideia do que isso significava". É claro que a culpa foi minha, por eu ter contado com a voz embargada e confusa, ele entendeu que era algo sério e deveria reagir assim, mas ele não sabia o que o autismo representava.

Contei para a minha mãe e para o meu irmão e eles me disseram que eu estava LOUCA, me disseram que eu estava inventando "doença" para o menino, só que com outras palavras. Ou seja, foi péssimo!

Enfim, terminei o dia de hoje confusa e com a sensação de que coisas vão piorar.


Leia Mais

Compartilhe Tweet Pint +1

0 Comentários